Antena 1 SP FM

domingo, 29 de junho de 2014

NOS PÊNALTIS E NA RAÇA, COSTA RICA, DO HERÓI NAVAS, ELIMINA A GRÉCIA E AVANÇA

Com um homem a menos desde o segundo tempo, equipe centro-americana resiste à pressão grega e passa as quartas pela primeira vez na história

O maior mérito da Costa Rica foi exatamente a maior qualidade da Grécia: saber resistir. Mesmo com um homem a menos durante toda a prorrogação e boa parte do segundo tempo. O time de Bryan Ruiz, Joel Campbell, Bolaños e do novo herói nacional, Navas, está na história da Costa Rica. Independentemente do que aconteça contra a Holanda, já que essa equipe superou a campanha de 1990, na Itália. A vitória dramática sobre a Grécia, nos pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, garantiu a inédita classificação às quartas de final da Copa do Mundo. Brilhou Navas, que defendeu a cobrança de Gekas, quarta dos gregos, além de outras milagrosas com a bola rolando. O zagueiro Umaña selou a vitória por 5 a 3 da marca da cal. Uma vitória que havia escapado aos 45 minutos do segundo tempo, quando Sokratis achou o gol grego já nos acréscimos; Ruiz abriu o placar.
A comemoração após a cobrança de Umaña foi digna de título. Mais uma. Na mesma Arena Pernambuco, a Costa Rica voltou a surpreender o mundo ao bater a Itália e se classificar por antecipação no grupo da morte. O triunfo sobre o Uruguai na estreia, outro feito surpreendente, foi também um momento com cara de conquista. Pode ser até injusto dizer. Mas a Costa Rica já ganhou sua Copa do Mundo. No próximo sábado, na Arena Fonte Nova, em Salvador, tentará o milagre diante dos holandeses.
Resta à Grécia também comemorar a sua melhor participação em Mundiais. Pela primeira vez, a equipe helênica passou para as oitavas de final e, não fosse o brilho de Navas, poderia ter ido ainda mais longe. Em 1994 e 2010, os gregos não passaram da primeira fase.
Navas Costa Rica x Grécia (Foto: AP)Navas é festejado pelos companheiros após vaga garantida nas quartas de final da Copa 2014 (Foto: AP)
Muralha grega leva vantagem, e placar fica zerado
O ritmo cadenciado do primeiro tempo favoreceu mais a Grécia. Apesar do certo equilíbrio denunciado no placar de 0 a 0, o time europeu soube se defender e, surpreendentemente, atacar melhor que a Costa Rica. Aos 36 minutos, Salpingidis desperdiçou a única grande oportunidade da primeira etapa. Navas desviou o chute cruzado do atacante dentro da área, após cruzamento de Cholevas. Arrancou suspiros do público. Um momento raro em toda a primeira etapa.
A Grécia cumpriu a cartilha. Bem postada na defesa, organizada no meio. Na medida do possível, perigosa nos contra-ataques. Único homem à frente da linha da bola, Samaras mostrou qualidade. O atacante do Celtic soube bem o que fazer com a bola, mesmo quando não tinha chance de finalizar. 

Esperava-se mais da Costa Rica. Sobretudo do setor ofensivo, da dupla Bryan Ruiz e Joel Campbell. Um chute perigoso de Bolaños, fruto de uma boa trama no ataque, foi o único momento de inspiração. O ritmo do primeiro tempo acabou frustrando a torcida, que não economizou nas vaias na descida para o intervalo.
 Giannis Maniatis jogo Costa Rica x Grécia (Foto: Reuters)Campbell não consegue levar vantagem sobre a defesa , de Maniatis, na primeira etapa (Foto: Reuters)
Costa Rica na frente, expulsão e, de novo, gol grego dramático
Talvez a reclamação do público tenha surtido efeito. Talvez tenha sido só mais uma ironia do futebol. O ferrolho grego, a muralha, apenas assistiu Bolaños rolar a bola para Bryan Ruiz na entrada da área. Desmarcado, o atacante do PSV emendou o chute no cantinho do goleiro Karneziz, imóvel. Pareceu um gol em câmera lenta. O segundo de Ruiz na Copa. O segundo na Arena Pernambuco.
Oscar Duarte recebe cartão vermelho jogo Costa Rica x Grécia (Foto: Reuters)Óscar Duarte é expulso da partida (Foto: Reuters)
Desvantagem assimilida, o técnico Fernando Santos resolveu mexer na Grécia. Saiu o volante Samaris para a entrada do atacante Mitroglou. Àquela altura, buscar o ataque era a única alternativa. Ainda mais depois que o zagueiro Duarte foi expulso. Ele já tinha amarelo e deu uma entrada dura em Cholevas aos 20 minutos.
Com um homem a mais, a Grécia se lançou de vez à frente. Martelou até o fim. Seguiu fiel ao princípio de nunca desistir. Acreditar sempre. Até o último segundo. Como em um flashback, o time helênico repetiu a façanha vista na última rodada da fase de grupos. O gol de empate saiu já nos acréscimos. Assim como o gol da classificação no Grupo C, contra a Costa do Marfim. Daquela vez, Samaras. Desta vez, Sokratis. Foi o zagueiro que aproveitou o rebote do goleiro Navas, após a finalização de Gekas. Mais um gol com espírito grego. Antes da prorrogação, Navas ainda precisou fazer uma grande defesa numa cabeçada de Mitroglou. Quase acontece a virada.
Sokratis Papastathopoulos gol jogo Costa Rica x Grécia (Foto: Getty Images)Sokratis desaba após o gol de empate da Grécia nos descontos do segundo tempo (Foto: Getty Images)
Grécia pressiona, e Navas segura empate na prorrogação
O primeiro tempo da prorrogação correu sem maiores emoções. A vantagem numérica conduzia a Grécia de maneira mais incisiva ao ataque, mas as chances não apareceram. Um ou outro lance exigiu dos goleiros. No lance mais perigo, Navas evitou o gol contra de Umeña logo no primeiro minuto.
A segunda parte seguia o mesmo enredo. Cada vez mais tensa, obviamente. Os costarriquenhos tentavam se multiplicar para amenizar a perda de Duarte. Os gregos se sentiam na obrigação de aproveitar a vantagem, antes dos pênaltis. Aos 7 minutos, um contra-ataque da equipe europeia abriu a porta da vitória. Cinco contra dois. Era a chance. Torodisis recebeu na área e chutou cruzado. Navas espalmou.
Um lance mais espetacular viria nos acréscimos. Mitroglou teve a classificação nos pés, mas perdeu o gol dentro da área. Fez-se a vontade da torcida brasileira - maioria absoluta no estádio -  que comemorou o apito final como um gol. Para ter o prazer de ver os pênaltis.
Navas Costa Rica x Grécia (Foto: EFE)Navas é o principal responsável por garantir o empate costarriquenho na prorrogação (Foto: EFE)
Navas volta a ser decisivo nos pênaltis
As equipes mostraram competência nas cobranças de pênaltis. Pelo lado costarriquenho, Celso Borges, Bryan Ruiz, Giancarlo González e Campbell tratavam de sempre deixar o time centro-americano em vantagem. Nas três primeiras cobranças gregas, Mitroglou, Christodoulopoulos e Cholevas mantiveram a igualdade. No quarto pênalti para os europeus, Gekas bateu e Navas voou para pegar. Bastou ao zagueiro Umaña, um dos destaques dos Ticos no Mundial, confirmar a sua cobrança para iniciar a festa. Agora, a surpresa da Copa 2014 tem a Holanda no caminho.
Navas e Karnezis Costa Rica x Grécia (Foto: Reuters)Na disputa Navas x Karnezis, melhor para costarriquenho, que pegou pênalti de Gekas (Foto: Reuters)

CRAQUES BRILHAM NO FIM, E HOLANDA ELIMINA O MÉXICO COM VIRADA MÁGICA

Mexicanos venciam até os 42 do segundo tempo, quando levaram um gol de Sneijder. Pouco depois, Robben sofreu pênalti, e Laranja passou às quartas

Ter craques em um time de futebol é essencial. Por mais que a existência deles provoque uma dependência complexa de resolver, é melhor contar com eles a seu favor. Foi na aposta nos pés desses jogadores que fazem a diferença que a Holanda saiu de campo neste domingo com a vaga nas quartas de final da Copa do Mundo. Com uma tática extremamente defensiva, passou sufoco, saiu atrás no placar, em belo gol de Giovani dos Santos, mas depois de viver intensamente o risco de eliminação, recuperou-se pelos pés de seu camisa 10, Sneijder, já aos 42 da etapa final, e selou a classificação com um pênalti sofrido por Robben nos acréscimos. Huntelaar fez a cobrança, perfeita. Tudo isso sob um forte sol na Arena Castelão, em Fortaleza. No fim das contas, vitória por 2 a 1 e classificação garantida para enfrentar Costa Rica ou Grécia nas quartas de final. Ao México, a dor de cair pela sexta vez seguida nas oitavas.
A formação no campo do Castelão antes de o árbitro apitar o início do jogo mostrou claramente a proposta de cada seleção. Com uma última linha defensiva com até seis jogadores, a Holanda jogou todo o tempo por contra-ataques, sendo amplamente dominada pelo México e correndo grande risco de sair atrás do marcador.
Herrera dominou o meio-campo no primeiro tempo. Com dribles fáceis e comandando as trocas de bola, levou o México ao ataque. Em uma jogada pela direito, entortou De Jong, que, machucado, foi substituído em seguida por Bruno Martins Indi.
O técnico Louis Van Gaal também apostou em uma mudança drástica de peças. Manteve Wijnaldum na vaga de De Guzmán e escalou Verhaegh, que fez a sua estreia em Copas do Mundo aos 30 anos de idade, no lugar de Janmaat, titular nos três jogos da primeira fase na lateral direita.
Sneijder Holanda e México (Foto: Agência Reuters)Sneijder (10), Memphis Depay e Huntelaar celebram: Holanda se supera no fim (Foto: Agência Reuters)
Foi em cima de Verhaegh que o México partiu para cima inicialmente. Layun criou boas jogadas pelo lado esquerdo. Em duas oportunidades, arriscou chutes perigosos. Em outra, cruzou para Giovani dos Santos, que não conseguiu alcançar a bola quase na pequena área.
Aos 17 minutos, o México criou uma grande chance em jogada coletiva. Depois de um cruzamento de Moreno, Giovani dominou nas costas de Bruno Martins Indi e tocou para Peralta, que ajeitou para Herrera chutar rente à trave direita de Cillessen.
Parada técnica
A Holanda não encontrava resposta. Nem mesmo depois da parada técnica para aliviar o calor de Fortaleza. Aos 42 minutos, Peralta deu ótimo passe de calcanhar para Guardado, que esticou para Giovani chutar cruzado, quase sem ângulo, e parar na defesa de Cillessen, que vinha demonstrando grande insegurança durante o jogo.
Nos acréscimos, a Holanda conseguiu assustar, mas apenas por causa de um erro de passe de Aguilar para Rafael Marquez no campo de defesa. Van Persie carregou a bola e tocou para Robben, que caiu na área na disputa com Moreno e ficou pedindo a marcação de um pênalti. O zagueiro mexicano acabou se machucando e sendo substituído por Reyes no intervalo.
Jogadores do México Parada Técnica Castelão (Foto: Agência Reuters)Pela primeira vez na Copa, partida teve parada técnica. Três minutos em cada tempo (Foto: Reuters)
Esse susto no fim do primeiro tempo não mudou o ritmo do jogo. Logo com três minutos de jogo no segundo, o México finalmente conseguiu abrir o placar. De Vrij cortou mal um lançamento, Blind deu espaço e Giovani dos Santos deu um belo chute para vencer Cillessen e fazer 1 a 0.
Mesmo em desvantagem, a Holanda não conseguia ficar com a bola. O México quase fez o segundo com Peralta. Van Gaal resolveu mexer em tudo. Aos 11 minutos, colocou Memphis Depay, que havia feito dois gols na Copa, e tirou Verhaegh, deslocando Kuyt para a lateral direita e abrindo Bruno Martins Indi na esquerda.
A mão de Ochoa
Aos 12, a primeira grande chance da Holanda apareceu., Robben cobrou escanteio, De Vrij finalizou na pequena área e Ochoa fez um milagre, espalmando a bola que ainda bateu na sua trave esquerda antes de a zaga afastar o perigo. Em um contra-ataque seguinte, Sneijder finalizou e a bola desviou na defesa, quase entrando no ângulo de Ochoa.
Aos 16 minutos, o técnico Miguel Herrera respondeu com a entrada de Aquino no lugar de Giovani dos Santos, adiantando Herrera. Foi o antídoto para tentar segurar a pressão da Holanda, cada vez mais forte com o passar do tempo.
Rafa Marquez México faz pênalti em Robben Holanda Arena Castelão (Foto: Agência AP)Rafa Márquez e Robben no lance que decidiu o jogo: pênalti para os holandeses (Foto: Agência AP)
Predestinado
A pressão cresceu. Robben fez grande jogada, driblou para a direita contrariando a teoria, e chutou para mais uma defesa importante de Ochoa, aos 29 minutos. Herrera usou sua então sua última substituição colocando Chicharito Hernandez no lugar de Peralta. Van Gaal tirou Van Persie e promoveu a estreia de Huntelaar na Copa do Mundo.
Depois de nova parada técnica, a Holanda passou a jogar pela sobrevivência nos últimos 10 minutos de jogo. Até que, aos 42 minutos, depois de uma cobrança de escanteio de Robben, Huntelaar ajeitou de cabeça para Sneijder empatar o jogo. Quando tudo levava a crer em prorrogação, Robben sofreu pênalti de Rafa Márquez. Huntelaar bateu com perfeição, rasteiro, no cantinho, para fechar o placar e garantir a classificação para as quartas de final.

sábado, 28 de junho de 2014

O FANTASMA SAI DE CENA: COLÔMBIA BATE URUGUAI E AGORA PEGA O BRASIL

James Rodríguez faz os dois gols da vitória de 2 a 0 no Maracanã, leva os cafeteros a sua melhor campanha em Copas e evita revanche da final de 50


No Maracanã o fantasma nasceu, no Maracanã o fantasma se despediu. Graças à melhor Colômbia que já pisou as chuteiras numa Copa do Mundo, não acontecerá a tão esperada revanche da final da Copa do Mundo de 1950. É a talentosa seleção comandada pelo craque James Rodríguez, dono da vitória de 2 a 0 neste sábado, quem desafiará o Brasil nas quartas de final do Mundial. E o fantasma sai de cena – o Uruguai está fora da Copa.
A assombração agora é outra. A mística uruguaia, com as lembranças de 64 anos atrás, dá lugar à exuberância da seleção cafetera. A Colômbia jamais havia passado das oitavas de final em uma Copa do Mundo. Pois agora passou com sobras: tem 100% de aproveitamento, 11 gols marcados, apenas dois sofridos e uma campanha superior à do Brasil – que precisou recorrer aos pênaltis para eliminar o Chile. E tem James Rodríguez...
James Rodriguez Colômbia e Uruguai (Foto: Agência Reuters)James Rodríguez acaba com o jogo e dá classificação história à Colômbia (Foto: Agência Reuters)
O camisa 10, melhor jogador da primeira fase para a Fifa, fez um golaço para ser cristalizado nas retinas colombianas. Matou no peito e, sem deixar a bola cair, abriu o placar da vitória – complementada por ele próprio no segundo tempo. O Uruguai, valente como sempre, abastecido de indignação pela suspensão aplicada a Luis Suárez, teve força para encarar o adversário. Mas não teve futebol. A equipe de José Pekerman é bastante melhor.
Sexta-feira, dia 4 de julho, às 17h (de Brasília), Brasil e Colômbia se enfrentam na Arena Castelão, em Fortaleza. O vencedor estará nas semifinais.
Tensão e pintura
Quando a bola começou a rolar no Maracanã, na despedida da tarde carioca, dois sentimentos saíam de cada canto do estádio e eram tão firmes, tão presentes, que quase deixavam de ser abstrações para se tornar sólidos – objetos que podem ser tocados. A raiva dos uruguaios estava presente em cada semblante, em cada máscara de Suárez a ornamentar um rosto, em cada faixa expelindo indignações contra a punição que alijou o atacante da Copa. E era proporcional ao surto de euforia dos colombianos, em êxtase com uma seleção que lhes permite sonhar um sonho outrora utópico.
A presença de dois estados de espírito tão opostos deixou o jogo tenso em campo e fora dele. Enquanto os atletas discutiam, dividiam cada bola com um pouco mais de força (especialmente os uruguaios), torcedores se desafiavam nas cadeiras, xingavam uns aos outros (especialmente os uruguaios).
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James Rodriguez Colômbia e Uruguai (Foto: Getty Images)Craque do jogo, James Rodríguez comemora o primeiro gol (Foto: Getty Images)
No gramado, o que se viu foi uma Colômbia muito mais talentosa e um Uruguai além de seus próprios limites de obstinação – algo que poderia parecer impossível para uma equipe que tem a garra tatuada na alma desde que o mundo é mundo. Só que a diferença pró-Colômbia no primeiro quesito é maior do que a diferença pró-Uruguai no segundo. Não por acaso, o time de José Pekerman, na bola, na qualidade, pulou na frente na etapa inicial.
E foi justo. A Colômbia propôs o jogo, se mostrou mais veloz, usou melhor os lados. E tem um diamante em campo com a camisa 10. Aos 27 minutos, a bola pareceu se teleguiar até o peito de James Rodríguez. Ele a aninhou no corpo e, na queda, já emendou de canhota. O toque no travessão foi o último ato antes do grito de gol. De golaço. De enorme golaço.
A Colômbia teve 63% de posse, mais saídas para o ataque e mais do que o dobro de tentativas de gol do que o Uruguai no primeiro tempo. Mas sua superioridade não a deixou imune a ataques celestes. Cavani, de falta, quase empatou. E depois, pelo alto, não desviou de cabeça por detalhes – seria fatal a conclusão.
Cavani lamentando Uruguai x Colômbia (Foto: André Durão / Globoesporte.com)Cavani tem as melhores chances do Uruguai, mas sem sucesso (Foto: André Durão / Globoesporte.com)
O fantasma sai de cena
O começo do segundo tempo ainda não estava munido de definições. Afinal, era o Uruguai do outro lado: tudo poderia acontecer. Mas não demorou para o fantasma sair de cena. Aos quatro minutos, a Colômbia trocou passes de pé em pé. Armero, da esquerda, mandou na cabeça de Cuadrado, que deixou a bola redonda (com o perdão do trocadilho) para James Rodríguez completar para a rede: 2 a 0, quinto gol do camisa 10 na Copa, agora artilheiro isolado, deixando Neymar, Messi e Thomas Müller para trás.
O Uruguai fez o que podia para reagir. Óscar Tabárez tirou Forlán (uma triste versão do craque do Mundial de 2010) e Álvaro Pereira para colocar Stuani e Gastón Ramírez. A seleção celeste até criou algumas chances, geralmente com Cavani, mas jamais deu pinta de que poderia virar o jogo – até porque o goleiro Ospina foi infalível. Com o passar do tempo, o time charrua ainda se tornou excessivamente viril – como em pancada desleal de Ramírez em Armero.
Enquanto isso, a parte brasileira da torcida passou a gritar “eliminado” para o Uruguai e a avisar aos próximos adversários: “Colômbia, pode esperar, a tua hora vai chegar”. Mas eles pouco ligaram. Responderam cantando: “Se vive, se sente, Colômbia está presente”.
E está mesmo. Como jamais esteve.
Torcedor vestido de fantasma de 50 com dentes do "vampiro Suárez" (Foto: Gettyimages)Torcedor uruguaio vestido de fantasma e com dentes da mordida de Suárez (Foto: Gettyimages)http://globoesporte.globo.com/jogo/copa-do-mundo-2014/28-06-2014/colombia-uruguai.html#

JULIO CÉSAR PEGA DOIS PÊNALTIS, CHILE BATE NA TRAVE, E BRASIL VAI ÀS QUARTAS

Após jogo ruim da Seleção e 120 minutos sofridos, goleiro promete defesa a Thiago Silva e cumpre, correspondendo a grito da torcida: "Eu acredito"


Quatro palavras, separadas em duas frases, resumem o que aconteceu neste sábado à tarde no Mineirão. Primeiro, o que Julio César disse a Thiago Silva, instantes antes de o Brasil eliminar o Chile nas cobranças de pênalti, por 3 a 2, após empate por 1 a 1 até o fim da prorrogação, e avançar para as quartas de final da Copa do Mundo. Disse o camisa 12 ao capitão:
- Vou pegar.
E pegou. Julio César defendeu a cobrança de Pinilla, que chutou forte, mas no meio do gol. E em seguida espalmou o chute de Alexis Sánchez. Não precisou pegar o chute de Jara, que explodiu na trave e fez explodir o Mineirão. David Luiz, Marcelo e Neymar marcaram, Willian e Hulk perderam.








A segunda frase que explica o jogo nasceu no meio da prorrogação, no auge da agonia, no ápice do sofrimento, quando quase não se respirava nas arquibancadas e mal se pensava em campo. O Brasil sofria e fazia sofrer.
- Eu acredito!
Foi tamanho o nervosismo, o sofrimento, que o Mineirão tratou de apelar para um grito jamais ouvido em partidas do Brasil. E a Seleção lá é time no qual é preciso declarar fé?
Neste sábado, foi preciso. Não poderia estar mais certo Luiz Felipe Scolari, quando previu que o Chile seria o adversário mais difícil possível para o Brasil nas oitavas.









O Chile de 2014 nada tem a ver com o de 1962, 1998 ou 2010 - aqueles a quem o Brasil destroçou quando cruzou nas Copas do Mundo. A equipe treinada pelo argentino Jorge Sampaoli joga, pensa, cria problemas, enquadra Neymar, faz sofrer.
O retrospecto não entra em campo, como insistiram Felipão e seus jogadores desde que ficou definido que o confronto das oitavas de final da Copa do Mundo seria contra os fregueses. Diante de 57.714 torcedores, Brasil e Chile fizeram um jogo de nervos - com algum futebol no meio. O "Mineirazo" esteve sempre à espreita. Mas Julio Cesar avisou:
- Vou pegar.
O Mineirão devolveu:
- O campeão voltou.
Na próxima sexta-feira, na Arena Castelão, às 17h (de Brasília), pelas quartas de final, a Seleção enfrenta a Colômbia, classificada ao vencer o Uruguai por 2 a 0, no Maracanã. Joga sem Luiz Gustavo, suspenso pelo segundo cartão amarelo, e com Neymar, Daniel Alves, Thiago Silva, Hulk e os reservas Jô e Ramires pendurados.
Felipão Scolari comemora enquanto Neymar chora brasil e chile mineirão (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Felipão vibra, Neymar e Thiago Silva choram: alegria sofrida (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Desequilíbrio na sombra
A sombra numa faixa de gramado do Mineirão no primeiro tempo era só uma coincidência, mas o fato é que só se jogava por ali. Marcelo era o jogador mais acionado quando o Brasil tinha a bola - e o mais incomodado quando o Chile tomava as ações.
Daniel Alves colaborou para esse desequilíbrio. O lateral direito perdeu uma bola ao sair jogando, nos lances iniciais da partida, e ofereceu um contra-ataque perigoso ao Chile. Desde então, o campo se inclinou para o outro lado. O camisa 2 só voltou a aparecer a três minutos do fim do primeiro tempo, ao arriscar um chute de fora da área que obrigou Bravo fazer linda defesa.
David Luiz Gol Brasil e Chile (Foto: Agência AP)Jara desvia de chilena, bola raspa na barriga de David Luiz e vai para o gol (Foto: Agência AP)
Foi de um ataque pela esquerda que surgiu o escanteio que Neymar cobrou na cabeça de Thiago Silva. O capitão desviou no meio da área, e David Luiz entrou com Jara na segunda trave. A bola foi para a rede, desviada de chilena por Jara, mas o gol foi dado para o camisa 4, em quem a bola raspou por último, de leve, na barriga. Primeiro gol dele com a camisa amarela, o único titular que ainda não tinha marcado pela Seleção. E como gritou David Luiz, e como gritou o Mineirão.
Brasil x Chile - David Luiz  (Foto: Getty Images)David Luiz agradece ao céu pelo primeiro gol pela seleção brasileira (Foto: Getty Images)
O gol deixou o Brasil à vontade para jogar no contra-ataque. O time de Felipão desistiu de marcar por pressão, recuou suas linhas, esperou o Chile e sempre esteve mais perto de marcar o segundo do que sofrer o empate. Fred tentou, Neymar tentou, Hulk tentou - do setor ofensivo, só Oscar não arriscou contra o gol chileno.
O adversário tinha mais posse de bola - 57% a 43% de posse no primeiro tempo - mas a marcação brasileira funcionava. Vidal, que ameaçara uma atuação brilhante nos minutos iniciais, caiu num buraco negro em algum lugar entre David Luiz e Marcelo e dali não saiu. Alexis tinha que ir até a defesa para tentar alguma coisa diferente, Vargas mal via a bola.
Tanto conforto em campo se transformou em desatenção. Hulk devolveu mal um lateral cobrado por Marcelo, a bola sobrou limpa para Alexis, que venceu Julio Cesar com um chute cruzado, preciso, rasteiro: 1 a 1. O Mineirão calou - com exceção das pequenas manchas vermelhas nas arquibancadas.
Alexis Sanchez comemora gol do chile contra o Brasil (Foto: Agência Reuters)Alexis Sánchez salta para comemorar o gol diante da massa amarela e um chileno (Foto: Agência Reuters)
Jogo bruto
O Brasil voltou a tomar a iniciativa no segundo tempo. O Mineirão cantava o hino, os de pé cobravam os sentados: "Levanta!". E o time de Scolari lutava. Como na maior parte do primeiro tempo, era um jogo sujo, bruto, com mais divididas do que troca de passes, com mais faltas do que finalizações.
Hulk chegou a desempatar, mas foi flagrado por Webb dominando no braço o lançamento de Marcelo (assista ao lance no vídeo ao lado). Gol bem anulado. O Chile devolveu com uma linda tabela pela direita. Aranguiz acertou disparo de dentro da área, Julio César fez uma defesa espetacular, no contrapé. E deu pistas de que estava ali para salvar mesmo.
Felipão mexeu: trocou Fernandinho por Ramires e Fred por Jô. O Brasil agora tinha mais a bola, mas não ideias. Hulk obrigou Bravo a trabalhar, Jô furou diante do goleiro batido em cruzamento rasteiro. Quando conseguia sair das cordas, o Chile incomodava - mas finalizava mal. Depois de 16 anos, o Brasil voltou a uma prorrogação na Copa, sua sexta na história do torneio.
Cansaço psicológico
Acabou o segundo tempo, com toda uma prorrogação a disputar, dois tempos de 15 minutos que decidiriam o futuro do Brasil na Copa do Mundo. Um a um, os brasileiros caíram. Fred, substituído por Jô, entrou em campo com garrafas d'água. Enquanto isso, os chilenos se abraçaram, todos de pé. Fizeram uma rodinha, como se houvesse todo um jogo pela frente. Neymar se ajoelhou, escondeu a cabeça entre os braços, Thiago Silva parecia exausto.
Felipão scolari brasil e Chile Mineirão (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Felipão conversa com os jogadores do Brasil antes da prorrogação (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Hulk foi a exceção. O camisa 7 atravessou o campo com a bola dominada, cavou falta. Parecia querer se redimir da bobeada no gol chileno. Em seguida, cortou o campo em diagonal outra vez e chutou de longe, com força, para outra boa defesa de Bravo. Foi o mais lúcido do ataque brasileiro, que, no mais, não criou. O Chile fez pouco, pareciam eles os exaustos na prorrogação. Felipão trocou Oscar por Willian, na última substituição.
Com a respiração presa, o Mineirão assistiu a um festival de cruzamentos sem perigo, passes errados, faltas e jogadores chilenos caídos no segundo tempo. Num contra-ataque, quando os relógios do estádio mostravam 119 minutos e 40 segundos jogados, Pinilla acertou uma bomba no travessão de Julio César. Último susto antes do capítulo final nos pênaltis.
Com câimbras desde antes do apito final, Neymar desabou. Na preparação para as cobranças, o veterano Julio César expôs a tensão brasileira e chegou a derramar lágrimas. Prenúncio da emoção que ainda teria que vivenciar na partida.
David Luiz iniciou a série acertando com força no canto. A mesma firmeza com que Julio César defendeu a cobrança de Pinilla. Em seguida, Willian chutou para fora, apesar de deslocar o goleiro. Mas o camisa 12 brasileiro salvou outra, parando Alexis Sánchez. Marcelo converteu, com leve desvio de Bravo. Aranguíz encheu o pé e balançou a rede no ângulo. Hulk também bateu forte, mas o 1 chileno tirou com o pé. Díaz igualou para 2 a 2 em seguida.
Julio Cesar Jara brasil x chile (Foto: Reuters)Julio César pula no canto certo, e a bola bate na trave: sorte ajuda ao competente (Foto: Reuters)
Depois de dois erros e dois acertos para cada lado, chegou a hora decisiva. Neymar fez o dele. E ficou para Julio César a decisão. Diante do autor do gol contra marcado oficialmente para David Luiz, o goleiro acertou o canto de novo, mas a trave parou Jara. Além de saber sofrer, é preciso ter sorte.
Luiz Felipe Scolari Felipão  Neymar brasil x chile (Foto: Marcos Ribolli)Thiago Silva é consolado por Murtosa, Felipão vibra, e Fernandinho e Neymar caem (Foto: Marcos Ribolli)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Tamanho é documento? Conheça o restaurante dos pênis na Coreia do Sul

Localizado na pequena cidade de Pocheon, o Deulmusae atrai uma grande quantidade de visitantes por conta de sua decoração única
Por  em 










Não importa o quão feio ele seja, o fato é que o pênis persistiu ao longo da história humana como um símbolo de força, fertilidade e poder para diversas culturas do mundo todo. Da antiga Pompeia e dos hieróglifos egípcios até as roupas de indígenas modernos na Nova Guiné, imagens fálicas vêm sendo utilizadas sem muitas restrições. No entanto, poucos lugares vão tão direto ao ponto quanto o restaurante sul-coreano chamado Deulmusae.
Localizado em uma obscura estrada rural em Pocheon, a uma distância de uma hora e meia de carro a partir de Seul, o rústico estabelecimento é muito fácil de reconhecer mesmo que você não saiba ler coreano. Afinal, basta procurar por uma casa com um enorme forno em forma de pênis, com uma trilha ladeada por vários órgãos masculinos indo até lá – e, caso vá até lá de noite, não precisa se preocupar: os membros no caminho se acendem ao entardecer.













Yin e yang

Inaugurado em 1996, o Deulmusae não foi sempre um tributo ao órgão. Na verdade, o local era um restaurante absolutamente comum até o dia em que um monge budista o visitou e ressaltou que lá havia um excesso de energia feminina (também chamada de yin na cultura chinesa). Além disso, ele explicou que a forma vaginal do terreno só piorava a situação.
Após ponderar sobre as afirmações do monge, o dono do restaurante resolveu balancear a energia do ambiente por meio da incorporação de símbolos fálicos nos utensílios de cerâmica do estabelecimento. Não demorou muito para que os objetos curiosos começassem a atrair visitantes da região, especialmente os idosos. Pouco tempo depois, o lugar já estava coberto de símbolos.
Além das peças de cerâmica, que são fabricadas no próprio restaurante, obras em madeira e esculturas feitas por um artesão local criam um ambiente bastante natural – para não dizer indutor de rostos avermelhados e olhos arregalados. Por mais estranhos que possam parecer, os trabalhos são feitos com muito cuidado e realmente podem ser considerados artísticos – com algumas exceções, como a fonte anatomicamente bizarra da foto a seguir.
SeoulSearching

Deixando as partes de lado

Mesmo com todas as distrações, o Deulmusae continua sendo um restaurante e, como tal, oferece uma boa variedade de pratos para agradar a qualquer gosto. Um dos pratos principais de almoço, por exemplo, apresenta uma sopa de milho com um filé de peixe frito, um corte de carne suína e um bife de hambúrguer no estilo coreano, tudo acompanhado por uma colorida salada, arroz e café ou chá. E servido em um prato com um pênis ou vagina, é claro.
A lista de bebidas também é bastante extensa e o pátio do local oferece um bom ambiente para apreciar os tradicionais chás e coquetéis do restaurante. Os drinques gelados são servidos em canecas baseadas nos diferentes sexos, com as mulheres recebendo seus refrescos em copos com forma de pênis e os homens recebem os seus em canecas com vaginas – e é óbvio que os canudos ficam em locais estratégicos para fotos constrangedoras.
Após a refeição, os visitantes ainda podem adquirir uma grande variedade de lembrancinhas únicas. Os famosos utensílios artesanais de cerâmica fálica do Deulmusae podem ser comprados na forma de canecas, saleiros, chaveiros e muitos mais. É possível até levar para casa um sabonete com a cor, formato e tamanho real de um pênis – mas não se preocupe, pois o aroma é de flores.

Tamanho é documento?

Antes de ir embora, também é possível passar para conferir o mapa-múndi feito completamente de pintos e até tirar algumas fotos – os donos do restaurante encorajam o voyeurismo. Pocheon pode até ficar em uma região remota e está longe de ser uma das maiores cidades da Coreia do Sul, mas uma visita ao Deulmusae certamente é algo único. Afinal, o que importa não é o tamanho, mas sim a forma como tudo acontece.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Poste caído na AV Ibirataia

Na manhã desda segunda-feira (23/06/2014).
Veja as fotos a seguir





Forró do Vovô 2014 (Gandu-BA)

Forró do Vovô 2014 foi realizado como de costume na praça São José (Jardim)
com objetivo de animar os velhinhos.

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domingo, 22 de junho de 2014

GANDU: Primeira noite do São João de Gandu supera expectativas de público e satisfação do folião



As bandas Amor Q’ Fica, Harmonia do Samba e Lordão fizeram a festa na primeira noite do São João de Gandu, que aconteceu neste sábado, 21, na Praça do Povo. Com uma praça completamente lotada e com um público bem animado, as principais atrações da noite fizeram os foliões cantar e dançar grandes sucessos até as primeiras horas da manhã deste domingo, 22. 

Retornando à Gandu após cinco anos e bastante emocionado, o cantor Binho Marques e a banda Amor Q’ Fica deu um prenuncio de como seria a primeira noite de festa. Binho retornou a sua cidade natal com o pé direito e embalou o público presente com suas músicas que marcaram gerações. 

Subindo ao palco por volta das 01h. da madrugada, o Harmonia do Samba encontrou um público já bastante eufórico, porém ordeiro. Com um show especial em comemoração aos 20 anos de carreira, a banda de pagode cumpriu seu papel e presenteou o São João de Gandu com um show inesquecível. 

O dia já estava amanhecendo quando a banda Lordão subiu ao palco. A lendária banda já havia se apresentado na cidade de Presidente Tancredo Neves, mas nem assim deixou de agitar o público. Lordão se apresentou até por volta das 05h30 da manhã e mesmo assim a Praça do Povo ainda se encontrava tomada por centenas de pessoas. 

A noite deste domingo, 22, terá os shows das bandas Karrascos do Forró, Cangaia de Jegue e É Só Filé.
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